9 de dez de 2013


LIÇÕES FINAIS LIVRO UM CURSO EM MILAGRES

INTRODUÇÃO

1-As nossas lições finais estarão livres de palavras quanto for possível.  Nós só as usamos no início da nossa prática e apenas para lembrar-mos de que buscamos ir além delas.  Voltemo-nos para Aquele Que nos mostra o caminho e faz com que os nossos passos sejam seguros.  Entregamos estas lições a Ele, assim como damos a Ele as nossas vidas a partir de agora.  Pois não queremos mais voltar a acreditar no pecado que fez com que o mundo parecesse feio e sem segurança, agressivo e destruidor, perigoso em todos os seus caminhos e traiçoeiro além da esperança da confiança e do escape da dor.

2-O Seu caminho é o único para achar a paz que Deus nos deu.  É o fim designado pelo próprio Deus.  No sonho do tempo, esse está nos servindo como um guia benevolente no caminho a seguir.  Sigamos juntos o caminho que a verdade nos aponta.  E sejamos guias para muitos dos nossos irmãos que buscam o caminho, mas não o acham.

3-E a esse propósito dediquemos as nossas mentes, dirigindo todos os nossos pensamentos para servir à função  da salvação.  A nós é dado o objetivo de perdoar o mundo.  É a meta que Deus nos deu.  É o Seu fim para o sonho que buscamos, e não o nosso.  Pois não falharemos em reconhecer tudo o que perdoamos como parte do próprio Deus.  E assim Sua memória é dada de volta a nós, completa e completamente.

4-É nossa função lembrar-nos Dele na terra e nos é dado ser a Sua própria completeza na realidade.  Portanto, não nos esqueçamos de que a nossa meta é compartilhada, pois é essa lembrança que contém a memória de Deus e nos indica o caminho para Ele e para o Céu da Sua paz.  E deixaremos de perdoar o nosso irmão que pode nos oferecer isso? Ele é o caminho, a verdade e a vida que nos mostra o caminho.  Nele reside a salvação, oferecida a nós através do nosso perdão que é dado a ele.

5-Não terminaremos esse ano sem a dádiva que o nosso Pai prometeu ao Seu Filho santo.  Estamos perdoados agora e estamos salvos de toda a ira que pensávamos pertencer a Deus e descobrimos ser um sonho.  Somos restituídos à sanidade em que compreendemos que a raiva é insana, o ataque é louco e a vingança uma mera fantasia tola.  Fomos salvos da ira, porque aprendemos que estávamos equivocados.  Nada mais do que isso, E pode um pai ficar com raiva do seu filho porque ele falhou em compreender a verdade?

6-Vamos a Deus com honestidade e dizemos que não havíamos compreendido e pedimos que Ele nos ajude a aprender as Suas lições através da Voz do Seu próprio Professor.  Magoaria Ele o próprio filho?  Ou apressar-Se-ia a responder-lhe, dizendo “Esse é o Meu Filho e tudo o que tenho é dele?” Estejas certo de que Ele responderá assim, pois estas são as Suas palavras para ti.  E mais do que isso ninguém jamais pode ter, pois nestas Palavras está tudo o que existe e tudo o que existirá através dos tempos e por toda a eternidade.

LIÇÕES 361-365
QUERO DAR-TE ESSE INSTANTE SANTO.
TU ESTÁS NO CONTROLE,  POIS EU QUERO SEGUIR-TE,
CERTO DE QUE A TUA DIREÇÃO ME DÁ  PAZ

1-E se eu precisar de uma palavra que me ajude, Ele a dará a mim.  Se precisar de um pensamento, Ele também o dará.  E se eu precisar apenas de serenidade e de uma mente tranqüila e aberta, estas são as dádivas que receberei Dele.  Ele está no controle porque eu pedi.  E Ele me ouvirá e me responderá porque fala por Deus meu Pai e pelo seu Filho santo.



EPÍLOGO.

1-Esse curso é um começo, não um fim.  O teu Amigo te acompanha.  Tu não estás sozinho.  Nenhum daqueles que chama por Ele pode chamar em vão.  Qualquer que seja o teu problema, estejas certo de que Ele tem a resposta e ela te será dada com alegria, se simplesmente te voltares para Ele e a pedires.   Ele não te negará todas as respostas de que precisas para qualquer coisa que pareça estar te perturbando.  Ele conhece o caminho para resolver todos os problemas e todas as dúvidas.  A Sua certeza é a tua.  Basta pedi-la e ela te será dada.

2-Tens tanta certeza de que chegarás em casa quanto é certo que o percurso do sol já foi estabelecido antes que ele nasça, depois que se ponha e nas horas intermediárias de meia luz.  Na verdade, o teu percurso é ainda mais certo.  Pois não é possível mudar o curso daqueles que Deus chamou para Ele.   Por isso, obedece a tua vontade e segue Aquele Que aceitaste como a tua voz, para falar do que realmente queres e do que realmente precisas.  Dele é a voz de Deus e também a tua.  E assim Ele fala da liberdade e da verdade.

3-Não há mais lições específicas pois não precisamos mais delas.  A partir de agora, ouve apenas a Voz por Deus e pelo teu Ser quando te retiras do mundo para buscar a realidade em seu lugar.  Ele dirigirá os teus esforços, dizendo-te exatamente o que fazer, como orientar a tua mente e quando vir a Ele, em silêncio, pedido-Lhe a Sua orientação segura e o Seu Verbo certo.  É Dele o Verbo que Deus te deu.  É Dele o Verbo que escolheste como teu.

4-E agora eu te coloco nas mãos Dele para seres o seu fiel seguidor, tendo-O como Guia através de cada dificuldade e toda dor que possas pensar ser real.  Ele tampouco te dará prazeres passageiros, pois só dá o que é eterno e o que é bom. Deixe-O continuar te preparando.  Ele ganhou a tua confiança falando-te diáriamente do teu Pai, do teu irmão e do teu Ser.  Ele continuará.  Agora caminhas com Ele, tão certo quando Ele do lugar para onde vais, tão certo quando Ele de como deves proceder, tão confiante quando Ele acerca da meta e de que chagarás ao fim em segurança.

5-O fim é certo, assim como os meios.  A isso dizemos “Amém” Toda vez que tiveres que fazer uma escolha, ser-te-á dito exatamente o que é a Verdade de Deus para ti.  E Ele falará por Deus e pelo  teu Ser, garantindo assim que o inferno não te reivindicará e que cada escolha que fizeres trará o Céu para mais perto do teu alcance.  E assim caminhamos com Ele a partir de agora e buscamos Nele a orientação, a paz e a direção certa.  A alegria nos acompanha no nosso caminho.  Pois estamos nos dirigindo para casa, para uma porta que Deus manteve aberta para nos dar as boas –vindas.

6-Confiamos os nossos caminhos a Ele e dizemos “Amém”  Em paz, seguiremos o seu caminho e Lhe confiaremos todas as coisas.  Com confiança, esperamos pelas Suas respostas ao perguntarmos qual é a Sua Vontade em tudo que fizermos.  Ele ama o Filho de Deus como nós queremos amá-lo.  E nos ensina a contemplá-lo através dos Seus olhos e a amá-lo como Ele o ama.  Tu não caminhas sozinho.  Os anjos de Deus pairam acima e à volta de ti.  O amor que  Deus te cerca e disso podes estar certo:eu nunca te deixarei sem consolo.

5 de ago de 2013

EU NÃO SEI......




É muito difícil para aqueles que seriamente se dedicam ao crescimento espiritual ter uma certeza de que seus esforços estão resultando em uma mudança positiva e seus desejos estão sendo alcançados, não só porque espiritualidade é uma área abstrata, mas também porque temos que viver num mundo onde as experiências humanas são baseadas na ilusão que criamos.

Porém certas mudanças internas nos dão uma noção se estamos mudando ou não, como por exemplo,  se estamos mais dispostos a perdoar, mais dispostos a deixar uma relação difícil cheia de problemas ser avaliada no presente em vez de continuamente carregarmos os problemas passados no presente, se tentamos praticar o instante santo e mais importante ainda,  se tomamos responsabilidade pela vida que levamos, sentindo que somos invulneráveis e que ninguém pode nos ferir.  Uma das maneiras que podemos medir a nossa mudança é através da compaixão e amor que sentimos por nos e pelo próximo.  Eventualmente quando  começamos a ouvir a Voz interna, sabemos com certeza que estamos começando a desbloquear as paredes que erguemos para nos proteger.

O aprendizado, seja através do Curso, ou de outras filosofias oferece um caminho que é sempre cheio de desafios e muitas vezes quando pensamos  ter alcançado um certo grau de desenvolvimento, alguma coisa acontece para nos mostrar que ainda temos muito trabalho pela frente.  Temos então que “escolher novamente.”

Outra característica encontrada naqueles que levam o caminho espiritual a sério é a determinação de continuar a procurar a luz, mesmo quando uma adversidade acontece e momentaneamente nos faz sentir desanimados.  Nestas ocasiões precisamos mais do que nunca acreditar que estamos amparados e aceitar que a vida é uma série de mudanças e que precisamos aceitar estas mudanças da mesma maneira que uma árvore tem que se dobrar com o vento para não quebrar.

A alegria interna, principalmente depois da meditação é outra medida porque por algum tempo entramos em contato com os cosmos, em eternidade.  É como se uma cascata de luz fosse derramada sobre nos, e esta alegria une tudo que existe.

Outra medida é o sentimento de unicidade.  Até compreendermos que tudo que existe faz parte da energia universal, e que não existe separação, que somos parte desta energia e que o ingrediente principal é o Amor, não podemos participar da força universal conscientemente.   Mas quando finalmente experienciamos esta unidade, sabemos então que fazemos parte de um milagre.

Ha pouco tempo escrevi um artigo sobre valores, e mais ou  menos dizia que somos aquilo que valorizamos.  Construímos uma identidade baseada na idéia que somos de uma determinada maneira porque obtemos um diploma, ou possuímos certas coisas na vida que validam o que pensamos ser.  Muitas vezes qualidades como ser uma boa mãe, ou filha, ou caridosa, serve como base para construir uma personalidade que pensamos ser.  Todas estas tentativas, fazem parte da ilusão criada pelo nosso passado, pelo o ego, para se manter em controle de um sistema de pensamento que esta sempre a procura de alguma coisa que preenchera o vazio que geralmente carregamos internamente. 

Este vazio, pode através dos anos ser preenchido por diversos acontecimentos, como nascimento de um filho, casamento, uma carreira nova, mas o vazio esta sempre presente. Não quero que pensem que falo de uma eterna depressão ou uma tristeza constante.  Algumas pessoas sofrem deste problema, é verdade, mas o que me refiro é muito mais difícil de se diagnosticar pois é um chamado da alma, uma saudade de alguma coisa que não podemos definir, muitas vezes uma dor no peito que não queremos sentir.  Nestas horas, muitas vezes nos perguntamos porque nos sentimos assim desde que aparentemente temos tudo para sermos felizes.  Este é o estado da maioria dos seres humanos. 

A razão deste sentimento, deste vazio ir e voltar, e para alguns ser uma condição permanente, é porque estamos sempre distantes da realidade de quem somos.  Nos distanciamos da essência do Espírito, e quando isto acontece saímos a procura das coisas  que pensamos ser necessárias para a felicidade.
Quando os valores começam a mudar, a necessidade de defender o que pensamos ser importante começa a se dissipar.   Isto não quer dizer que devemos desprezar o mundo em que vivemos, apenas que a liberdade de Ser vem da aceitação de que tudo aqui não passa de uma ilusão criada pela mente que vê este mundo como uma crucificação, como um lugar onde não temos controle sobre o que ocorre em nossas vidas. 

Existe uma outra medida que é a mais difícil de se alcançar porque depende totalmente da fé. Seus ensinamentos muitas vezes passam despercebidos mas  que poderão ser encontrados no capitulo 14 que diz o seguinte: “Por ora, a coisa essencial é aprender que tu não tens o conhecimento”

Em inglês, que gosto mais, a frase é “Yet the essential  is learning that you do not know

Para ser franca eu tenho mais afinidade com a frase original que diz “Eu não sei....” portanto usarei esta tradução daqui para a frente.

Esta frase “Eu não sei...” coloca muitas destas tentativas em perspectiva, para olharmos de frente o que é realmente verdadeiro. Requer um altíssimo estado de humildade e aceitação para finalmente podermos fazer o que é chamado em inglês “leap of faith” que traduzido ao pé da letra significa um pulo dentro da fé.
A um certo ponto nesta jornada temos que acreditar que não sabemos nada, não porque somos estúpidos ou ignorantes mas porque vivemos em mundo que não vê a realidade universal.  Para esta transformação acontecer precisamos acreditar que uma coisa abstrata, pode ser verdadeira.  O que facilita eventualmente este processo é a pessoa começar a sentir que talvez esta idéia não seja tão esotérica  porque começa a experienciar certas mudanças internas que afirmam que a crença no conceito abstrato talvez tenha uma validade.

Quando podemos dizer que não sabemos, significa que aceitamos que não somos aquela pessoa que criamos, que a nossa identidade não é representada pelo que fizemos mas que existe uma essência de Espírito maior que acreditamos ser.

Esta fase de desenvolvimento espiritual requer uma aceitação total da força abstrata que se chama  fé. “O que é fé?  "Fé é o que você faz, quando faz, que permite em seu pensamento, primeiro, acreditar, segundo, imaginar, terceiro, sentir e quarto, saber, que você e o Filho de Deus.”

Um Curso em Milagres mostra o fim do caminho e ensina como chegar la.  Mas a nossa função, o propósito é demonstrar que no fim não sabemos nada, e deixar uma força maior ser o guia para chegarmos de volta a casa. Através to texto e das lições somos guiados a obter este estado. Precisamos reconhecer que este mundo não representa quem somos, e o Curso mostra o meio de finalmente encontrar a liberdade, porque sem esta aceitação continuaremos acorrentados a uma ilusão que não traz paz ou felicidade porque somos sempre dependentes de coisas externas para encontrar e preencher o que pensamos ser verdadeiro.

Em vez de julgamentos, precisamos parar e pensar que no fim não entendemos porque as coisas acontecem num mundo que é baseado em sentimentos falsos, até mesmo o amor que pensamos ter uns pelos os outros é tingido por sentimentos de animosidade se as coisas não são exatamente como pensamos ser. É um amor condicional.

Precisamos colocar este mundo em perspectiva e entender que existe uma brecha, uma enorme separação entre a  ilusão e a Verdade de Deus.
É muito importante manter na mente e repetir constantemente para si.  “Eu não sei... me mostre o caminho meu Pai.”

“Aprende a respeito de Sua felicidade, que é tua.  Mas para realizar isso, todas as tuas lições escuras têm que ser voluntariamente trazidas à verdade e alegremente entregues por mãos abertas para receber, não fechadas para tomar. Cada lição escura que trazes Àquele Que ensina a luz, Ele aceitará de ti porque tu não a queres.  E contente Ele trocará cada uma pela lição brilhante que Ele aprendeu para ti.
Para que isto aconteça precisamos ter fé na Sua sabedoria e aceitar que não sabemos nada.  Eu não sei....."

“Não te preocupes acerca de como poderás aprender uma lição tão completamente diferente de tudo o que ensinaste a ti mesmo.  Como poderias saber? A tua parte é muito simples.  Só precisas reconhecer que tudo o que aprendeste, tu não queres.  Pede para ser ensinado e não uses as tuas experiências para confirmar o que aprendeste.  Quando a tua paz é ameaçada ou perturbada, de qualquer forma, dize a ti mesmo:

        Eu não conheço o significado de coisa alguma, inclusive disso.
        E, portanto, eu não sei como responder a isso.  Eu nao vou usar o meu
        próprio aprendizado passado como a luz que há de me guiar agora."
             
Este é o significado de Leap of Faith.  Quando todas as forças nos dizem que não podemos ir para a frente,  insistimos em colocar a nossa mente nas mãos Deus.

24 de fev de 2013


O homem que alcança o seu próprio caminho é na verdade o homem que encontrou o caminho mais comum. Não há destaques nele. Seu pressuposto passa a ser a vida mesma, e não uma aventura destacada em conveniências. Esse mundo advoga muita coisa meramente conveniente como necessária. Assim, a insanidade pode ser elevada ao patamar de “uma boa causa”. A existência de defensores e mártires das tais “causas” mostra seu caráter desviado do caminho comum. O comum, reduzido ao conjunto de pessoas no mundo em prol de uma única causa, é uma atadura fixa, um antolho, uma mera disposição ao compromisso com o nada. No entanto, se apenas a união de dois egos é impossível, quanto mais de todos.

Assim, o único axioma que garante a atadura fixa em termos mecânicos é o amor. Existe até uma mecânica do amor, que não é especial. Parece contradizer o que o Curso diz acerca do amor verdadeiro, pois obviamente tu já lês julgando. Não esperas sequer as palavras completarem seu sentido. No mundo do tempo, uma idéia vem dividida em partes, fragmentos nomeados como relações entre causas e efeitos. Portanto, uma causa julgada premeditadamente provoca neste mundo todo o tipo de pré—conceito.

O Curso diz: “Podes praticar a mecânica do instante santo e muito aprenderás em fazê-lo. ( T- 15. II. 5:4)”. Como podemos dizer que algo realizado por mim pode ser mecânico, se o que dizes que está destacado de ti não existe, e é mecânico? É verdade que não é possível controlares o comportamento indefinidamente, e a sensação de opressão que este estado causa é intolerável. A aparente infalibilidade das leis mecânicas deste mundo, dos resultados em efeito e causa são patentes na separação e, de certa forma, é o modus operandi dela. Dizemos obviamente nos referindo à percepção diretiva, pois está claro que a matéria questiona-se como criação a nível quântico, se quiseres chegar até o fundo do nada para certificares que o átomo do nitrogênio em Tomé é o mesmo em uma pedra, ou na água, se Tomé fosse corpo e a água existisse.

Estás com medo? É arrogância, então. Ou não acreditas ainda no que o Curso diz. Preste atenção: a mecânica do instante santo vale à pena, mas não pode ser evocada eternamente. Em certo momento, ela precisa ser ultrapassada por um evento unificador, presente em tua memória desde sempre, e que elide os corpos em verdadeira união. Mecanicamente, através do comportamento adestrado, isto é impossível.

Portanto, será útil para ti saber como se dá a mecânica do instante santo. Ocorre de maneira semelhante à mecânica estrutural dos exercícios, através da evocação e entrega, em títulos determinados como princípios indutores da mente certa. Os 365 exercícios do Curso são as bases deste princípio. A repetição deles, isto é, sua aplicação mecânica, farão com que tua mente direcione-se por si mesma no curso correto. É impossível que um indivíduo que tenha feito todos os exercícios do Curso não tenha sido tocado, como o próprio Curso afirma. Ele pode não ter percebido, e acreditar que foi mais um tipo de exercício espiritual ao qual se entregou e falhou. Mas isto não significa que ele não teve benefícios reais. Seu julgamento não é o indicador disto. E se ele abandonou o Curso, como abandonou? Se o Espírito Santo nunca o abandonará? O Curso em Milagres está muito além deste livro que vês.

Assim, antes de julgar a teu irmão, entenda: um amigo que vem para decidir o que é certo, pode ser até que ele mesmo não esteja certo, mas ele é capaz de certeza, pois a certeza não vem dele. No entanto, se ele se disponibiliza, e pratica a mecânica do instante santo, como perderá com isso? Ele ainda não está ciente do que diz, mas se através dele é dito (e muitos acasos que nomeastes coincidências, sincronicidades ou mesmo avisos, são apenas diretivas mecânicas de tua disposição em ouvir a Voz por Deus) mas se através dele é dito, porque apenas tu te beneficiarias? Isso, não tem glória envolvida. Não pode ter, pois o comum parece destacado no mundo, pois todos acreditam que devem chegar até um ápice da separação, e parece um elogio dizer: “fulano é muito incomum”.
Deixemos de lado os meios e vamos ao que interessa: como praticar, no dia a dia de tuas alterações de humor, a mecânica do instante santo? E quais são os proveitos que ela te oferece? Responderemos então estas duas perguntas separadamente, de forma que sejam vistas como uma só.
A mecânica do instante santo é uma disposição. Dispor-se é “estar em posição de”. Portanto, a mecânica do instante santo espera que estejas a postos. Se tiveres raiva por um momento, e não conseguires te livrar desta indisposição, mesmo que a causa da raiva tenha sido esquecida, ou resolvida, significa que não queres a solução de um problema ou “soltá-lo”; queres apenas a raiva, pois não consegues te livrar dela mesmo após o ato que aparentemente a causou tenha se passado. Não é assim? O rancor não pode demorar anos? E não parece justificado pelas leis do mundo? Aquele que errou não tem que pagar caro, e pagar aqui? Essa é a lei que eu vim para desfazer. Em mim, não temas, pois eu te disse que viria se tu te disponibilizasses, e por isso vim. Não me receberás com alegria?

Graças a ti também, quem ajuda a ti mesmo em teus irmãos. Vejamos o que é a loucura da raiva e do rancor. O rancor é a permanência da raiva no tempo, sabemos disto. O que não sabemos é que o rancor visa “estender” a raiva. Como se fosse possível criar com o pressuposto eterno das criações, a raiva “estendida” não pode ser associada a um elemento que a desfaça. Portanto, a solução de um problema nunca é suficiente para aplacar a fúria do ego, pois ele precisa de mais raiva para se manter, e para isso ele precisa sempre te apresentar a ti mesmo como escasso, entendes? Falta algo que alguém te tomou. É justo sentires raiva.

No entanto, o ego não diz que essa raiva tu fabricas “do nada”. Pois se mesmo um motivo que justificasse a raiva fosse embora, e tu ainda mantivesses teu estado mal humorado, por que seria assim? Manténs agora a raiva justificada na falta de algo que já recuperastes? Então, tem que ter algo faltando. Onde está esse algo? Está na confusão que o ego te induziu para crer que te falta algo. Por isso acreditas que tens que ultrapassar alguém nesse mundo. Precisas ser melhor que outro. Falamos anteriormente sobre a educação das crianças e de seu senso induzido à escassez, pela necessidade em adequar-se ao especialismo. Agora, é a mesma coisa, com a diferença que agora quem o faz é uma pessoa “madura”.

Criança de Deus, não há dificuldade aqui. O que estamos dizendo é que a raiva não tem justificativa, mesmo quando parece ter, pois ela é destacada de sua causa exterior, pois no exterior não te falta nada; e é bem verdade que “vieste” para cá sem nada e sem nada daqui retornarás. Dá graças a Deus! Não sabes o quanto deverias agradecer por teu Pai ter te mantido completo, conforme não precisas de nada deste lugar de imagens densas, feitas pedra. Não percebes que tudo aqui é pedra?
Então, o que é a escassez? A escassez é bem uma assombração que teu ego fornece conforme argumentos entre ti e as pedras que te faltam. “Ah! Faltou essa pedra aqui!” “Aquele te tomou uma pedra que era para ser tua!”, “poderias beber mais pedra, se não te faltassem pedras no Banco das Pedras”, e por aí vais à raiva. Banalizar? Pois bem, vejamos o que é banal, então. O Filho de Deus não pode ser banal, pois a Sua importância não existe, pois a importância atinge um limite em Deus, para Quem a importância não tem significado. O que importa então para ti nas pedras? Teu conceito de ti mesmo? O conceito de outros egos? A tua paz interior? Matarias pela tua paz interior? Nesse caso, teu sonho de paz interior é pedra também. E assim surgem os terroristas, e é melhor pararmos por aqui, pois esse mundo já sofreu demais em teus pesadelos.

Eu vim para te dizer que deves parar. Parar significa estender a si mesmo em centro. A ação parece então que está parada. Veja só: um sonho, minha Criança, não pode ter efeitos. Se sonhares com um tesouro e acordares pobre, de que adiantarão os juros? A raiva é um juro, sendo um juramento que fizeste de jamais perdoar, de aceitar o que te acontece como sendo sempre falta, escassez. Assim, mesmo o que é bom nunca é suficientemente bom, está apenas quase bom, ou há o êxtase com o qual tu compras teus sentidos de prazer ou dor, mediante significados de que “agora, sim, está bom”. Ora, agora é sempre a hora do bom, pois o bom é sempre estar em presença do centro em si. Mas este agora não é uma meta, um “agora finalmente”, um agora que surgiu da soma de outros “agoras” anteriores. Então, a eternidade é a soma dos “agoras” felizes? Achas mesmo que a eternidade é feita de escassez, ou esmolas?

Não peças esmolas ao teu ego! Não é isso que tu és. A dureza da lição vem de uma necessidade em relembrar-te que És como Deus Te Criou. Sem escassez nenhuma. Pois quando estás consciente disto, és amado por teus irmãos. O mundo se torna tão bom, que quase parece que é real. Pois o amor “realiza” o mundo para ti, em amor também, pela extensão. Não vale a pena então, mecanicamente, te sentires bem através de uma disponibilidade corajosa? Para isso, tem uma história:

Hoje eu e minha esposa saímos para almoçar em um restaurante. Eu estava indisposto porque me faltara uma pedra. Então, estava com cara de mau, emburrado em ser um cara mau. Isso, no entanto, me dava uma sensação de que eu sabia quem era. Eu era o cara que tinha perdido a pedra. Naquela hora, eu poderia então me referenciar no tempo espaço e dizer: “eu sou um cara mal humorado”, e assim eu estava “sendo”. Eu poderia até me definir, se quisesse. E era isso o que restava de mim como filho de Deus.

Então, no semáforo, percebi que era orgulho manter rancor, mas isso veio para mim porque lembrei em repertório que “Eu Sou Como Deus Me Criou, eu sou livre”. Então, resolvi criar coragem e olhar para minha esposa mesmo com raiva, que nem era raiva dela, mas era uma raiva nos espaços, e olhar para e ela e dizer alguma coisa, tipo: “não quero estar assim, mas estou. Isso é uma verdadeira pedra!” Mas não disse nada. No entanto, um segundo depois, se muito, olhei para ela com coragem em desfazer aquilo que me fazia mal. “Pelo menos, eu posso decidir que não gosto do que sinto agora (T-30. I. 8:2)”. Outra, do repertório benfazejo. Então, apenas olhei para o lado e a vi. Ela olhava para frente, mas de repente virou o rosto para mim e fez um sinal afirmativo com a cabeça, com um único gesto firme. Eu respondi igualmente. E, nisso mecânico, posso dizer que a raiva não se desfez imediatamente, mas não tinha mais a mesma firmeza de antes, e dali a pouco eu estava bem. Eu não perdoei a raiva que tinha, eu perdoei a falta que eu pensava que em mim havia. Então, aprendi que coragem é um ato de querer se livrar do que não presta. E sentir-se mal não presta.